Brasil
Gaspar Nóbrega/COB/Twitter oficial do Time Brasil

Os Jogos Olímpicos de Tóquio marcaram a melhor participação do Brasil na historia do evento. Afinal, foi a primeira vez que o país passou das 20 medalhas. Contudo, o país também teve as suas frustrações e decepções, e ainda precisa melhorar em certos pontos. Confira uma análise geral do evento em Tóquio.

Favoritos e candidatos no pódio.

Dentre os sete ouros conquistados pelo Brasil, quatro confirmaram favoritismo: Ítalo Ferreira no surfe, Martine Grael e Kahena Kunze na vela e Isaquias Queiroz na canoagem. E no momento em que a ginasta Simone Biles sucumbiu devido à sua saúde mental, Rebeca Andrade virou a favorita no salto sobre a mesa. E confirmou o ouro.

Nos outros casos, não havia favoritismo, mas as chances de medalha eram altas. Ana Marcela Cunha, por exemplo, mostrava excelentes resultados, mas a competição de maratona aquática estava bastante equilibrada. Mesmo caso de Hebert Conceição e da Seleção de Futebol.

Dentre as pratas, destaca-se a seleção feminina e vôlei, que chegou desacreditada, mas que conseguiu uma prata. Por outro lado, pode até ter sido decepcionante não ter saído ouro no skate, mas as pratas de Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros devem ser valorizadas. Mesmo caso de Beatriz Ferreira no boxe.

Dentre os bronzes, destacam-se Bruno Fratus (natação) e Alison dos Santos (atletismo). Fratus finalmente conseguiu sua medalha nos 50 metros livre da natação depois de bater na trave duas vezes, enquanto que Alison dos Santos trouxe a primeira medalha do Brasil nos 400 metros com barreiras. Ambos não eram favoritos ao ouro, mas tinham chances de medalha.

Surpresas

Mesmo que tenha ganhado o ouro no Rio de Janeiro, o bronze de Thiago Braz pode ser considerado uma surpresa. Afinal, o brasileiro não vinha saltando bem e chegou nos Jogos bastante desacreditado. O boxeador Aber Teixeira também pode ser considerado uma surpresa, já que ele não tinha ido bem no mundial de boxe amador, caindo na segunda fase do torneio.

Entretanto, a maior surpresa brasileira saiu do tênis, um esporte que, embora tenha revelado alguns nomes bons, não tem tradição no Brasil. A dupla de Laura Pigossi e Luisa Stefani foi montada às pressas e mandada para Tóquio, elas trouxeram a primeira medalha do tênis brasileiro.

Frustrações

Nesta categoria, vão entrar os momentos me que atletas brasileiros pouco cotados para medalha mostraram força na competição, mas que no final ficou longe do pódio.

Para começar, vamos voltar no tênis. Apesar de ter trazido o bronze, Pigossi e Stefani causaram uma pequena frustração nas semifinais. As atletas venciam o primeiro set por 5 games a 2 e precisavam de apenas mais um para fechar o set. Todavia, as brasileiras deixaram as rivais virarem e vencerem o set, impedido que a medalha fosse de prata ou mesmo de ouro.

Na prova de triatlo feminino, Vitória Lopes passou toda a natação e boa parte do ciclismo no pelotão da frente, criando expectativas de medalha inédita, Entretanto, Vitória começou a cansar na segunda metade do ciclismo e acabou terminando a prova na 28ª colocação.

Semelhantemente à situação de Vitória, Daniel Nascimento passou boa parte da maratona masculina no pelotão da frente, inclusive liderando a prova. Mas o brasileiro acabou passando mal e abandonou, impedindo que o atletismo brasileiro conseguisse a terceira medalha nos Jogos.

Decepções

Aqui vão entrar os atletas brasileiros que tinham grandes chances de medalha, mas que ficaram fora do pódio.

O mesatenista Hugo Calderano tinha grandes chances de medalha devido à sua posição alta no ranking. E nas quartas de final, vencia a partida contra o alemão Dimitrij Ovtcharov por 2 sets a 0 e encaminhava o terceiro set (placar de 8 a 2). Porém, Calderano se desconcentrou e levou a virada no set e depois na partida, perdendo por 4 sets a 2.

Assim como Calderano, o ciclista de mountain bike Henrique Avancini era um dos líderes no ranking. E chegou a liderar a competição, o que poderia render a primeira medalha do Brasil no ciclismo. Mas Avancini perdeu ritmo e terminou a prova em 13º.

Contudo, a maior decepção do Brasil foi o vôlei. A começar pelo de praia, onde pela primeira vez desde que o esporte entrou no programa olímpico que o país ficou em medalha, tanto no masculino quanto no feminino. Aliás, as duas duplas masculinas foram eliminadas pelos mesmos atletas: os letões Tocs e Plavins.

O vôlei de quadra masculino provavelmente foi a maior decepção. Campeã da Liga das Nações a equipe chegou como franca favorita para o ouro, mas nem o bronze conquistou. Perder pra Argentina na disputa do bronze foi dolorido, mas a derrota maior foi para a Rússia nas semifinais quando vencia o terceiro set por 20 a 12 e deixou virar.

Avanços e no que tem que melhorar

Não se pode negar que o Brasil avançou nos Jogos Olímpicos. Afinal, foram 21 medalhas sendo sete delas de ouro. Além disso, teve aumento do número de finais disputados na natação e no atletismo, e uma nos saltos ornamentais, esporte no qual formalmente o país é fraco.

O Time Brasil vem evoluindo a ponto de ficar algo parecido com o Team USA, buscando empresas privadas (caso da XP Investimentos, por exemplo) e vendendo produtos em vez de ficar apenas chorando pedindo dinheiro para o Estado. Contudo, o Comitê Olímpico Brasileiro poderia investir melhor, transmitindo competições via YouTube, por exemplo, para aproximar o Brasileiro médio e assim atrair mais patrocínio. Também falta um investimento na base. Não adianta destacar os atletas já quando eles estão formados. O incentivo precisa ser na base, desde cedo.

O Brasil também tem que preparar melhor mentalmente os atletas. Em quatro ocasiões (tênis, tênis de mesa, vôlei e vôlei de praia), atletas brasileiros ganhavam suas competições com vantagem, deixaram virar e acabaram derrotados.

Enfim, não é porque o Brasil teve a sua melhor campanha na historia significa que não pode melhorar. Pode e muito. Imagina que, em paris-2024, não venham 25 medalhas?

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