Gianni Infantino é o homem que tenta mudar o calendário do futebol mundial. Foto: Reprodução/Instagram.

Desde maio de 2021 a FIFA começou uma campanha para mudar o calendário do futebol mundial a partir de 2025: a Copa do Mundo não seria mais disputada de quatro em quatro anos, como é feito desde o início do torneio, em 1930, e sim de dois em dois anos.

Além disso, os campeonatos continentais de seleções, como Eurocopa e Copa América, também seriam jogados de dois em dois anos, nos anos ímpares. Ou seja, todo ano haveria uma competição de seleções.

A argumentação oficial da FIFA é de que mais países terão oportunidade de sediar e disputar a Copa do Mundo, além de vários jogadores que não têm a chance de jogar a Copa ao longo da carreira poderem participar do evento.

As federações de continentes periféricos do futebol, como Ásia e África, se mostraram favoráveis à ideia da Copa do Mundo bienal. Mas quando a conversa chegou na Europa e na América do Sul, a elite do futebol atual, a conversa mudou de figura.

UEFA E CONMEBOL REPROVAM IDEIA

A UEFA reprovou fortemente a ideia de realizar um Mundial de seleções a cada dois anos e listou alguns “perigos” que essa ideia pode trazer: perda da “mística” do torneio, sustentabilidade dos jogadores, que participariam todos os anos de torneios de seleções e não teriam mais períodos maiores de descanso, futuro dos torneios femininos, ofuscados pelos masculinos em grande quantidade.

Na América do Sul, a Conmebol emitiu uma nota oficial dizendo que também não apoia a mudança e que não vê nenhum motivo plausível para a Copa ser jogada a cada dois anos. A entidade ameaçou até que suas seleções podem não jogar no novo formato.

Aleksander Čeferin, presidente da UEFA. foto: Reprodução/Instagram.

IDEIA SEM SENTIDO

Diante da repercussão negativa de UEFA, Conmebol, jogadores e técnicos da atualidade, a FIFA decidiu adiar para dezembro uma reunião onde vai discutir propostas para o novo calendário do futebol mundial.

A reação negativa daqueles que fazem a máquina do futebol girar e também da imprensa e da torcida só mostra o quanto é bizarra a ideia da FIFA de mudar o calendário da Copa do Mundo.

A razão, obviamente, é financeira. Realizando o evento a cada dois anos é mais dinheiro entrando nos cofres da entidade e a possibilidade de diferentes países, em diferentes continentes, sediarem o evento.

Mas dois fatores, principalmente, precisam ser observados nessa mudança. O primeiro e mais importante é a saúde dos jogadores. Com Copa do Mundo e torneios continentais a cada dois anos os atletas de ponta não teriam mais o descanso prolongado que acontecesse atualmente nos anos ímpares.

Com isso, as lesões e o desgaste físico aumentariam consideravelmente durante o período de jogos com o clube, causando prejuízos a quem paga o salário do atleta e diminuindo a qualidade de jogo dos campeonatos nacionais.

O segundo tem mais a ver com o torcedor. É o charme da Copa do Mundo. A ansiedade de esperar quatro anos pelo maior torneio de futebol que existe. Se jogado a cada dois anos, o brilho da competição continuará existindo, mas a repetição tão próxima ao longo do tempo pode acabar banalizando um torneio antes tão especial ´pra quem ama futebol.

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