Eduardo Barroca foi um dos comandantes do Botafogo em 2020. Equipe trocou várias vezes de técnico e foi rebaixada. Foto: Reprodução/Facebook.

Há anos é quase um consenso na imprensa: o futebol brasileiro é uma máquina de moer treinadores. Quando os resultados não aparecem ou o time engata uma sequência de vários jogos sem vencer a pressão fica grande para que o dirigente tome uma iniciativa e troque o comando técnico.

Buscando uma forma de tentar mudar esse cenário e fazer com que os times sejam mais responsáveis na hora de contratar e demitir um treinador, a CBF adotou uma nova regra para o Campeonato Brasileiro a partir de 2021.

Agora os times só poderão trocar de técnico uma vez. Caso ocorra uma segunda troca, o comandante até o fim do campeonato terá que ser alguém que já esteja no clube há pelo menos seis meses. Já os técnicos só podem pedir demissão também uma vez. Se pedir a segunda não poderão treinar uma equipe na mesma competição. A regra valerá para as Séries A e B.

A regra é polêmica, pois pode despertar interpretações da justiça trabalhista, já que estaria limitando a possibilidade de um profissional trabalhar. Por outro lado, agora os técnicos também têm um limite para trocar de equipe dentro de uma competição esportiva, como acontece com os jogadores.

O ponto central para mim, entretanto, é querer forçar uma mudança de cultura e filosofia de futebol através de uma imposição, de um regulamento.

Nos lugares em que o futebol é mais competitivo, principalmente na Europa, as equipes mais vencedoras, na maioria das vezes, são aquelas que apostam e acreditam no trabalho de longo prazo. Mas lá já há uma cultura de futebol que há décadas funciona desse jeito. Apesar de vários técnicos terem sido demitidos ultimamente quando as coisas não vão bem, como aconteceu com Frank Lampard no Chelsea.

O Brasil, acostumado ao imediatismo e ao futebol de resultados, ao importante são os três pontos jogando de qualquer jeito, precisaria de uma mudança de mentalidade dos dirigentes e dos torcedores.

É necessário escolher o profissional adequado de acordo com a metodologia de futebol que o clube quer e acreditar em um processo. Que poderá ter alguns obstáculos, mas, se bem feito, levará ao caminho das vitórias.

Uma mudança de mentalidade, de costumes, leva tempo. Anos. Talvez décadas. Não é do dia para noite, através de uma nova regra, que os dirigentes e torcedores passarão a ser mais pacientes com seus técnicos.

Paraguaio Gustavo Morínigo é o atual treinador do Coritiba. Time também trocou várias vezes de técnico em 2020 e foi rebaixado. Foto: Reprodução/Facebook.

TÉCNICOS NÃO SÃO O ÚNICO PROBLEMA

Além da demissão de técnicos, penso que há outros problemas até mais importantes e urgentes que a CBF deveria se preocupar em fiscalizar e/ou regulamentar.

O principal é o calendário. Estaduais muito grandes para clubes da elite e a não-pausa nas Datas FIFA, por exemplo, são fatores que complicam os técnicos nos momentos de desenvolverem seus trabalhos e contribuem para que o futebol brasileiro não se torne mais competitivo.

Outro exemplo é a proposta do Fair Play Financeiro, que foi adiada por causa da pandemia de coronavírus.

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