Pedro (esq.) e Éverton Ribeiro marcaram os gols do Flamengo contra o Inter. Crédito: Reprodução/Facebook

Já há algum tempo, o nível técnico do futebol praticado no Campeonato Brasileiro vem deixando a desejar. Os times optam por jogar na retranca, pensando primeiro em se defender para depois atacar. Quando alguém faz 1 a 0, a postura comum é se trancar na defesa e segurar a vitória. A justificativa geralmente é a necessidade de “saber sofrer” e “jogar feio para vencer”. “O importante são os três pontos” e “técnico joga para garantir o emprego”, por isso opta pelo estilo de jogo pragmático e defensivo. Fazer essa “lição de casa” bem feita era o bastante para ser campeão brasileiro.

A discussão sobre a qualidade do futebol jogado no Brasil e as estratégias dos técnicos brasileiros foi acentuada em 2019, com a chegada dos treinadores estrangeiros Jorge Jesus (português) e Jorge Sampaoli (argentino). O Flamengo de Jesus foi campeão brasileiro tendo 16 pontos de vantagem para o segundo colocado. Com uma proposta de jogo ofensiva e várias goleadas aplicadas, deixou para trás o pragmatismo e o jogo defensivo que havia triunfado em anos anteriores. Também de maneira ofensiva, ainda que com estratégia de jogo diferente, jogava o vice-campeão Santos dirigido por Sampaoli.

O melhor jogo

Neste domingo (25) tivemos o duelo entre Internacional e Flamengo pela 18ª rodada do Brasileirão 2020. Os dois líderes da atual edição do Brasileirão. Mais uma vez, dois times comandados por técnicos estrangeiros: o argentino Eduardo Coudet, no Inter, e o espanhol Domènec Torrent, no Fla. E o que se viu em campo foi a melhor partida do Brasileirão até aqui.

O Colorado foi melhor no primeiro tempo e exerceu pressão na saída de bola do ataque do Flamengo, um dos conceitos do futebol moderno e algo comum que o time de Coudet faz.

A presão acabou resultando em dois gols gaúchos em erros do Flamengo devido às tentativas de sair jogando pelo chão, como pede o técnico Dome. Primeiro foi Isla e depois Gustavo Henrique. Abel Hernández e Thiago Galhardo marcaram para o Colorado. Pedro chegou a empatar o jogo ainda no primeiro tempo e o jogo foi para o intervalo 2 a 1.

Thiago Galhardo marcou o segundo gol do Internacional. Foto: Ricardo Duarte/Internacional.

Na segunda etapa o Flamengo se acertou e dominou o jogo. Foram várias as chances de gols criadas. Filipe Luís acertou o travessão e o lateral Heitor, do Inter, tirou uma bola em cima da linha, por exemplo. O esforço carioca foi recompensado nos acréscimos, quando Everton Ribeiro subiu de cabeça para empatar, fechar o placar em 2 a 2 e manter os dois times na liderança, com 35 pontos. O Internacional é o primeiro colocado por ter melhor saldo de gols.

O que se viu em Porto Alegre, no Estádio Beira=Rio, foi muito diferente da maioria das partidas do Campeonato Brasileiro. Dois times com propostas de jogo ofensivas e que buscaram o gol a todo instante. O Internacional, com elenco inferior, foi melhor no primeiro tempo, mas cansou e não conseguiu repetir a marcação no campo de ataque e o desempenho na segunda etapa, quando o Flamengo trocou o posicionamento de Vitinho e Gerson e passou a dominar o confronto.

A partida foi uma demonstração de que é, sim, possível ter bom futebol praticado no Brasil. Com boas estratégias de jogo, conectadas ao futebol jogado atualmente e priorização do ataque ao invés da defesa nosso campeonato pode crescer de nível. E os técnicos estrangeiros tem dado contribuição fundamental para que isso aconteça.

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