Grupo da Seleção se abraça após primeiro gol de Arthur no jogo contra o Uruguai (Foto/Reprodução: CBF)

Diante de um cenário inusitado, a Seleção Brasileira conseguiu demonstrar avanços em relação à organização tática do elenco comandado pelo técnico Tite. Isso porque a equipe provou, mais uma vez, que fatores antes problemáticos para a evolução do time ficaram no passado. 

O primeiro deles era a conturbada “Neymar-dependência”.  Em 2018, a eliminação da Copa da Rússia pela Seleção Belga provou uma ausência de personalidade individual dos jogadores que, constantemente, se viram sem opções senão acionar o principal jogador do time (Neymar). 

Além disso, o camisa 10 ficava sobrecarregado e não encontrava alternativas que não fossem jogadas individuais, cuja marcação por parte dos adversários era feroz, neutralizando facilmente o ataque brasileiro. Em 2019, após a lesão de Neymar pré-Copa América, a equipe se viu obrigada a desenvolver recursos coletivos sem a habilidade do ponta esquerda.

Neymar após sofrer lesão em amistoso contra o Catar (Foto/Reprodução: Twitter)

Outro obstáculo era a insistência do comandante Tite em adotar um perfil de jogo tradicionalmente europeu. Como gestor da equipe, suas opções estratégicas foram atacadas pela mídia e pelos torcedores ao longo da competição pela falta de originalidade.

Foi adotada uma postura que não condizia com a essência do futebol brasileiro, com dribles desconcertantes, ritmo de jogo rápido e ofensivo com investimento em jogadas individuais. A dinâmica de diversificação tática ficou esquecida e por muitas vezes, o ritmo defensivo e mais cadenciado tomou conta das partidas. 

No fim, suas escolhas foram decisivas para a vitória invicta do Brasil. Desde então, o time foi adaptando suas jogadas ensaiadas e houve de fato uma melhora nos setores ofensivo e defensivo de campo.

Em 2020, o protagonismo ainda é de Neymar, mas o desempenho coletivo novamente se sobressai. As atuações de Firmino, Jesus, Marquinhos, Renan Lodi, Everton Ribeiro, Richarlison, Arthur e companhia foram os principais destaques deste momento decisivo para as Eliminatórias da Copa. 

Com mais lançamentos, passes precisos, ritmo atento de marcação e brilhantes jogadas ensaiadas, a Canarinho provou sua “Neymar-independência” e personalidade única. A vitória contra o Uruguai por 2 a 0 demonstra agradável resposta para aqueles que questionam a capacidade do Brasil conquistar bons frutos em 2022.

Sem Neymar, a camisa 10 ficou com E. Ribeiro que soube representá-la com maestria
(Foto: CBF)

Talvez os fantasmas europeus, Alemanha e Bélgica, não sejam tão assustadores quanto as novas safras presentes nas equipes de França, Espanha, Inglaterra e Portugal. Porém, todo o cuidado é necessário quando se trata dos rivais do “Velho Continente”. 

Infelizmente, são poucas as oportunidades de disputa com estas seleções e por isso, é preciso construir esquemas eficientes de jogo, convocando os brasileiros que melhor estiverem preparados. A Seleção está longe da perfeição e tanto os atletas como a gestão técnica têm ciência disso. Ainda é preciso testar mais peças, confrontar seleções europeias e montar um sistema sólido de defesa (que já mostrou avanços nas últimas partidas).

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6 Comentários

  1. Muito top a matéria parabéns pelo trabalho, acredito que o Tite ainda tenha que aproveitar outras ferramentas do futebol brasileiro e internacional, seleções sul-americanas são diferentes das européias!

  2. O texto contém explicações objetivas e coesas.
    Com relação a nossa amada seleção, nos últimos jogos, vem demonstrando uma evolução considerável e a independência do Neymar.
    Pois na história, o rei Pelé, dividia o seu reino com outros mestres do futebol.
    Parabéns ao texto e a Canarinho.

  3. Grande Gabriel, excelente matéria uma abraço meu primo orgulho de seu trabalho. Júlio César

  4. Excelente matéria parabéns Gabi que Deus continue abençoando vc

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